Envelhecer faz parte da vida, é um processo natural. Nesse processo, a função fisiológica do corpo sofre uma modificação gradativa, fazendo com que ele seja mais suscetível a doenças. (1)

O aumento da expectativa de vida dos idosos não necessariamente significa que eles terão uma melhor qualidade de vida. Com a idade, doenças começam a surgir e muitas delas possuem um mecanismo fisiopatológico comum: uma resposta inflamatória marcada. (2)

Ainda que os cuidado com a saúde tenha melhorado em comparação com outras épocas, a má alimentação continua sendo um problema. Sabe-se que vários elementos da dieta contribuem para o surgimento de doenças inflamatórias. E, apesar de ser possível ingerir nutrientes que possuem a função anti-inflamatória, acabamos consumindo mais nutrientes ruins do que os bons. (2)

O que é a inflamação?

A inflamação nada mais é do que um processo natural de defesa do nosso organismo. Quando o sistema inflamatório é saudável, ele promove o equilíbrio no organismo, protegendo-o contra agressões, invasões microbianas ou agentes químicos e físicos. Também promove a recuperação da função tecidual. (2)

O processo inflamatório tende a ser um processo auto-controlado, mas, quando a saúde do tecido envolvido não consegue se restabelecer, a inflamação acaba se tornando crônica. Embora a resposta inflamatória seja um mecanismo natural, quando é crônica ou excessivamente estimulada, pode causar danos aos tecidos e para o restante do organismo. A inflamação pode causar efeitos colaterais lentos e, muitas vezes, assintomáticos durante bons anos. Foi indicado que esse tipo de inflamação crônica de baixo grau é o motivo do envelhecimento. (2)

O que a alteração da inflamação pode causar?

A alteração da inflamação pode contribuir para o surgimento de várias doenças como: doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, neoplasias, doenças auto-imunes, sarcopenia (perda de massa muscular) e diabetes tipo 2. Também está ligada ao desenvolvimento da síndrome de fragilidade.(3)

A síndrome de fragilidade é um aumento da vulnerabilidade caracterizada por adultos que possuem risco de desenvolver um agravamento de doenças crônicas e de mortalidade, afetando predominantemente órgãos e sistemas associados com consumo de energia e mobilidade. (3)

Nota-se que a síndrome de fragilidade surge com o avanço da idade, mas a maior parte dos idosos não chega a atingir essa condição. (3)

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Como a alimentação auxilia no processo de envelhecimento

É muito recente associar a alimentação com o processo de envelhecimento. Inclusive, cientistas e médicos estudam a possibilidade de retardar, parar ou até reverter o envelhecimento com a ajuda da medicina e da ciência. A alimentação tem um papel muito importante nesse processo, tendo em vista que ela pode melhorar a qualidade de vida e reduzir o aparecimento de doenças associadas com a idade. (4)

Notou-se que o consumo de gorduras saturadas e hidrogenadas estão associadas a um grande aumento de riscos para a saúde, causando, além da inflamação, doenças degenerativas, cardiovasculares, diabetes e até câncer. Por outro lado, a gordura poli-insaturada e os ácidos gordos ômega 3 têm auxiliado no controle de peso e na manutenção da função cardiovascular e cognitiva (memória, atenção, linguagem etc). (5)

Segundo estudos, a dieta mediterrânea é um dos regimes alimentares com maior evidência de efeitos positivos na saúde do ser humano. A dieta baseia-se em um consumo de cereais integrais, legumes, frutas, vegetais, azeite virgem, além de peixe e frutos secos. Além disso, há um consumo moderado de laticínios, álcool (como o vinho tinto) e, também, há um baixo consumo de gordura hidrogenada, gordura saturada e carne. (6)

Foi observado que as pessoas do mediterrâneo que são adeptas à dieta possuem uma melhor qualidade de vida se comparadas às pessoas dos Estados Unidos e do norte da Europa. (6)

Estudos mostram ainda que os adeptos à essa dieta diminuem o risco de desenvolver diabetes. Já quem tem diabetes tipo 2, a dieta mediterrânea auxilia no controle do metabolismo, diminuindo a hemoglobina glicosilada e a glicêmica pós-prandial, além de reduzir a taxa de mortalidade. (6)

A dieta asiática também foi associada a maiores níveis de longevidade e saúde, tendo em vista que ela é rica em gordura poli-insaturada e monoinsaturada, alimentos com compostos bioativos e fibras. (2)

É imprescindível lembrar que uma má nutrição pode atuar como um fator de risco para o surgimento de doenças crônicas degenerativas, até para os mais jovens. (2)

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Como ter um envelhecimento saudável?

Além de adotar uma dieta saudável, exercícios físicos regulares – sempre lembrando que precisam ser feitos com o acompanhamento e a orientação de profissionais especialistas – são indispensáveis quando o assunto é uma melhor qualidade de vida. Se juntarmos uma boa dieta e exercícios físicos, as chances de termos um bom envelhecimento são grandes.

Fora isso, o peso corporal saudável é uma das principais recomendações quando o assunto é melhor qualidade de vida e a diminuição de riscos para a saúde. Tendo em vista que houve um grande aumento de pessoas obesas em todas as faixas etárias, dar ênfase na perda de peso é extremamente necessário. (1)

É importante revisarmos nossos hábitos alimentares, consumir menos alimentos que são considerados inflamatórios e evitar excesso de calorias. (2)

O objetivo não é viver para sempre, mas sim viver mais tempo com uma ótima qualidade de vida. (2)

O segredo para alcançarmos a qualidade de vida à medida que envelhecemos é nos nutrirmos bem. Isso é essencial para controlarmos o peso e todos os processos inflamatórios, nos tornando mais saudáveis e felizes.

FONTES: 
  1. FARIA, Elsa C. Da S. Matos. A influência da nutrição na resposta inflamatória e no envelhecimento. 54f. Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra, Coimbra. Disponível em <https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/27537/1/Mestrado_Carina.pdf>. Acesso em 07 out. 2020.
  1. BASTOS, Filipa Costa. A influência da nutrição na resposta inflamatória e no envelhecimento. 63 f. Dissertação (Mestrado Integrado em Medicina) – Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra, Coimbra. Disponível em <https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/32408/1/A%20Influ%c3%aancia%20da%20Nutri%c3%a7%c3%a3o%20na%20Resposta%20Inflamat%c3%b3ria%20e%20no%20Envelhecimento%20-%20Filipa%20Bastos.pdf>. Acesso em 07 out. 2020.
  1. COELHO, Tânia I. Santos. A influência da nutrição na resposta inflamatória e no envelhecimento. 2017. 67 f. Artigo de revisão (Mestrado Integrado em Medicina) – Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra, Coimbra, 2017. Disponível em <https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/82419/1/A%20Influ%c3%aancia%20da%20Nutri%c3%a7%c3%a3o%20na%20Resposta%20Inflamat%c3%b3ria%20e%20no%20Envelhecimento.pdf>. Acesso em 07 out. 2020.
  1. LUÍS, Catarina I. F. Fernandes. 2017. 42 f.Influência da nutrição no envelhecimento: a caminho da longevidade. Monografia – Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, Faculdade do Porto, Porto, 2017. Disponível em <https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/54409/3/139282_1065TCD65.pdf>. Acesso em 07 out. 2020.
  1. COSTA, Carolina; DIAS, Marta Bastos; SOUSA, Alexandra. Nutrição Anti-Envelhecimento. Revista Nutrícias, v. 16, p. 31-34, 2013.
  1. CRUZ, João R. C. de Carvalho e. Influência da nutrição no envelhecimento – mecanismos fisiopatológicos. 2018. 46 f. Artigo de revisão (Mestrado Integrado em Medicina) – Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra, Coimbra, 2018. Disponível em <https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/81874/1/Trabalho%20Final%c3%adssimo%20MIM%20-%20Jo%c3%a3o%20Cruz.pdf>. Acesso em 07 out. 2020.