Você sabia que o ômega 3 pode nos ajudar a combater a depressão e a ansiedade? Isto é em razão de sua capacidade de nutrir os tecidos cerebrais e proteger nossas células nervosas!

O cérebro está diretamente relacionado às nossas memórias, à nossa consciência, às nossas emoções e sentimentos. Doenças e transtornos da mente, quando acontecem, precisam de cuidados especiais, já que comprometem a psique e afetam diretamente a nossa qualidade de vida.

Para cuidarmos da nossa saúde em nível mental,  precisamos alinhar conexões neurológicas e cognitivas e melhorar certos padrões de pensamento, já que os transtornos da mente são capazes de desestabilizar as funções cerebrais de diferentes formas. Mas como fazer isso?

A base do tratamento para a ansiedade e depressão geralmente envolve medicamentos, psicoterapia ou uma combinação dos dois. Porém, cada vez mais, as pesquisas sugerem que esses tratamentos podem ser potencializados através de uma boa nutrição cerebral, que é capaz de auxiliar nas melhorias das funções cerebrais associadas a esses transtornos.

O tecido cerebral é rico em ácidos graxos ômega 3, que são gorduras essenciais para o bom crescimento, desenvolvimento e função de todo o tecido cerebral. Para se ter uma ideia, o tecido do cérebro é composto 60%  por gorduras, especialmente as do tipo ômega 3, que são de vital importância para a saúde das membranas celulares e para favorecer as conexões entre os nervos.

Pessoas que consomem uma boa quantidade de ômega 3 absorvem este importante nutriente que envolve as membranas celulares, alimentando o cérebro com qualidade e auxiliando todo o sistema neurológico e mental.

Um cérebro bem nutrido com ômega 3 é também um cérebro saudável, capaz de minimizar e até mesmo de evitar certos desequilíbrios químicos que favorecem o surgimento de transtornos da mente.

Se o nosso cérebro está carente desse tipo de gordura essencial, pode sofrer danos e nos levar a piorar um eventual quadro de depressão e de ansiedade, males tão comuns nos dias atribulados de hoje.

Pesquisas já revelaram que a baixa ingestão dietética de ácidos graxos ômega 3 benéficos, como o ácido eicosapentaenóico (EPA) e o ácido docosahexaenóico (DHA), está ligada ao humor deprimido, hostilidade e comportamento impulsivo.

Níveis baixos de ácidos graxos ômega 3 também estão ligados ao mau desempenho em testes cognitivos e de memória e ao declínio cognitivo mais rápido com o envelhecimento.

Ao contrário disso, a ingestão elevada de EPA e DHA está associada com o aumento do volume de matéria cinzenta nas regiões cerebrais que controlam a depressão e o humor. Em estudos clínicos controlados, os doentes deprimidos designados aleatoriamente para receberem ácidos graxos ômega 3 demonstraram uma melhoria maior em comparação com aqueles atribuídos a placebo.

Já foi constatado que o consumo adequado do ômega 3 é capaz de melhorar o controle das emoções e do humor, minimizando sintomas depressivos, insônia a falta de libido, que são sintomas frequentes em pacientes com depressão e ansiedade. Cientistas estão examinando intensamente de que maneira os ácidos graxos ômega 3 trabalham para promover um humor saudável.

Pesquisadores analisaram os níveis plasmáticos de ácidos graxos essenciais e neuroesteróides, que são substâncias químicas neuroativas envolvidas em vários processos neurofísicos dos transtornos da mente. Tais estudos incluíram 18 homens saudáveis e 34 homens com alcoolismo, depressão, ou ambos. No grupo dos 52 indivíduos, o nível mais baixo de ácidos graxos essenciais ômega 3 foi associado a níveis mais elevados de neuroesteroides.

Parece que a falta de DHA tem efeitos hormonais de grande alcance, aumentando o hormônio que libera a corticotropina, que é um hormônio que atua na parte emocional. Isso pode, por sua vez, contribuir para a hiperatividade dentro do eixo hipotalâmico da adrenal pituitária, um importante sistema neuroendócrino que regula humor, agressão e respostas de “luta ou fuga” associadas à ansiedade.

“A evidência está se tornando bastante convincente de que o aumento da ingestão de gorduras ômega 3 aumenta muitos aspectos da função cerebral, incluindo o controle do humor e aspectos da personalidade”, disse Brian M. Ross, MD, Professor Associado de Medicina, Química e Saúde Pública na Faculdade de Medicina do Norte de Ontário da Universidade Lakehead, nos Estados Unidos.

Segundo o Dr. Ross, “combinar os resultados de uma série de ensaios clínicos mostra claramente que a suplementação com ácidos graxos ômega 3, em particular as variedades de cadeia longa EPA e DHA, ajuda a reduzir os sintomas associados à depressão clínica. Outros dados provocativos sugerem que aumentar a ingestão de ácidos graxos ômega 3 aumenta a atenção e reduz a agressão, provavelmente aumentando os processos cognitivos “.

De acordo com uma hipótese recentemente apresentada pelo Dr. Ross, o baixo nível de ácidos graxos ômega 3 poderia ser um fator de risco para a depressão, enquanto a suplementação dietética com ácidos graxos ômega 3 poderia ser um tratamento útil e bem tolerado para o transtorno depressivo maior, e o melhor de tudo, sem os efeitos colaterais causados pelos medicamentos convencionais.

O ômega 3 pode ser tão eficiente como os remédios antidepressivos, sendo uma boa forma de lutar contra as crises de ansiedade e a depressão. Mas se o médico já prescreveu antidepressivos não se deve parar de tomar estes medicamentos sem o seu conhecimento, mas sim começar a fazer uma alimentação rica em ômega 3.

O óleo de linhaça e as algas marinhas são as fontes vegetais mais ricas em ômega 3, enquanto os peixes marinhos de águas frias e profundas e crustáceos são as maiores fontes de origem animal desse tipo de gordura. Porém, tão importante quanto escolher consumir ômega 3 em sua dieta, é escolher bem as origens e a qualidade de tais gorduras.  

Peixes marinhos, por exemplo, podem estar contaminados com metais pesados, causando mais danos do que benefícios. A suplementação com cápsulas de ômega 3 também deve ser bem escolhida, prefira sempre marcas idôneas, com óleo de linhaça extraído a frio e óleo de peixe com alta concentração de EPA e DHA, e que seja livre de metais pesados, certo?

E então, entendeu melhor os benefícios do ômega 3 no combate à depressão e ansiedade?

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Referências:
Ross, B. M., Seguin, J., & Sieswerda, L. E. (2007). Omega-3 fatty acids as treatments for mental illness: which disorder and which fatty acid? Lipids in Health and Disease, 6(1), 21.
Ross, B. M. (2009). Omega-3 polyunsaturated fatty acids and anxiety disorders. Prostaglandins, Leukotrienes and Essential Fatty Acids, 81(5-6), 309–312.