Muitas pessoas, quando ouvem falar em vitamina D, logo associam ela ao sol. De fato, ele é a maior fonte dessa vitamina para o nosso corpo. Além disso, ela também é muito conhecida pelo seu importante papel fisiológico no metabolismo do cálcio, logo, na saúde dos nossos ossos. Mas a função da vitamina D no nosso organismo vai muito além e é isso que abordaremos neste texto e, ao final dele, o nosso objetivo é deixar claro para você o quanto ela pode contribuir com a melhora da imunidade. (1)

Vitamina D: vitamina mesmo ou hormônio?

Como assim, hormônio?! Pois é!

Com o passar do tempo e com estudos realizados sobre a vitamina D, descobriu-se que ela era classificada erroneamente (ou de forma errada) como uma vitamina, mas que, na verdade, ela é um pró-hormônio esteroide. ( (1)

Isso acontece porque as vitaminas são classificadas como substâncias essenciais para o nosso organismo, mas que são obtidas por meio da alimentação. Sim, existem alimentos capazes de prover vitamina D para o corpo humano, porém, o nosso organismo é capaz de obter esse elemento por meio de um composto intermediário da biossíntese do colesterol ou pela exposição ao sol. (1)

Mesmo após essa descoberta na segunda metade do século XX, a vitamina D (colecalciferol) continuou sendo chamada desta maneira. (1,2,4)

As funções da Vitamina D no organismo

Sua principal função é a atuar na regulação e manutenção da quantidade de fósforo e cálcio no organismo, elevando o aproveitamento intestinal e diminuindo o gasto renal. Ela também atua na reabsorção óssea, possibilitando aumento da velocidade da contração dos músculos. (5)

Estudos mais recentes mostram que a ação da vitamina D no nosso corpo não se restringe ao que falamos acima, pois está, também, associada a prevenção e tratamento de outras diversas patologias, como doenças cardiovasculares, câncer, distúrbios psiquiátricos, doenças neuro-musculares e autoimunes, como o diabetes mellitus insulino-dependente, esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal, lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide. Além destas doenças que citamos, percebeu-se também que a vitamina D possui um papel de imunomodulação em doenças alérgicas como dermatite atópica, asma e outras infecções, como as respiratórias.(1,2,5)

O papel da Vitamina D na imunidade

Nosso sistema imunológico está ligado à replicação celular e à produção de grupos proteicos ativos. Sendo assim, o quadro nutricional de uma pessoa também determina a resposta do seu sistema imune e de proteção.

Falando especificamente da vitamina D, ela desempenha papéis fundamentais no sistema imunológico: (2, 5)

– regulação da diferenciação e ativação de linfócitos CD4;

– aumento do número e função das células T reguladoras;

– inibição in vitroda diferenciação de monócitos em células dêntricas e outros.

De uma maneira geral, o efeito da vitamina D na nossa imunidade consiste no aumento da imunidade inata associada à regulação multifacetada da imunidade adquirida. A ação imunomodulatória da vitamina D ocorre devido sua presença nas células imunes em proliferação e a capacidade das células imunológicas de metabolizá-la. (5,6)

Confira alguns resultados de estudos que associaram a vitamina D ao sistema imunológico:

– Um estudo randomizado feito em 267 pacientes com lúpus eritematoso sistêmico, realizado em 2013, mostrou que os níveis de marcadores inflamatórios e hemostáticos melhoraram e a atividade da doença reduziu com a ingestão de vitamina D (2000 UI/dia por 12 meses).(6,7)

– Foi observada, em recém-nascidos, uma associação entre a deficiência da vitamina D e infecções respiratórias como bronquiolite, tuberculose, asmas, rinite crônica, rinossinusite e outras. (5)

– Um estudo caso-controle na Etiópia considerou o papel da vitamina D como fator predisponente para pneumonia em crianças menores de cinco anos. (6)

– Filhos de mães suplementadas com vitamina D na gestação têm menor incidência na sibilância recorrente. (5)

– Segundo autores, há estudos que sugerem a suplementação de vitamina D a doentes asmáticos para a prevenção do desenvolvimento da asma, redução do risco e consequências da doença, além de melhorar a resposta ao tratamento com conticosteroides. (5)

Sintomas de deficiência de Vitamina D

Os sintomas e consequências que podem sinalizar uma deficiência de vitamina D no nosso organismo são variados. Veja:

– dores generalizadas, principalmente, na lombar, nos músculos e nos ossos; (1)

– raquitismo (enfraquecimento dos ossos) em crianças; (1)

– osteomalácia (enfraquecimento de ossos maduros) em adultos; (1)

– maior incidência de infecções, letargia (cansaço excessivo) e irritação; (1)

– agravamento de doenças crônicas, como a artrite reumatoide e outros. (1)

Fatores como hábitos alimentares, menor exposição ao sol, uso de roupas que preenchem grande percentagem da pele, cor da pele (quantidade de melanina), idade e uso excessivo de protetor solar estão associados à deficiência desta vitamina. (1)

Para saber o nível de vitamina D no organismo, é preciso realizar exames laboratoriais.

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Fontes de Vitamina D

Entendida a grande importância e as funções essenciais que a vitamina D desempenha no nosso organismo, é indispensável acompanhar os níveis desse composto no nosso corpo e compreender como é possível garantir uma quantidade necessária para ele.

Mas, afinal, como conseguir vitamina D?

Ela pode ser obtida por meio de três fontes:(1,2,3)

– exposição solar;

– alimentação;

– suplementação.

O motivo da maioria das pessoas associarem a vitamina D ao sol não é em vão, pois ele é realmente a principal fonte de obtenção dela (cerca de 80 a 90%). Após ficar exposta às radiações ultravioletas do tipo B (UVB), a nossa pele é capaz de converter a vitamina D na sua forma ativa.(1)

Devido aos efeitos negativos da exposição excessiva ao sol, como envelhecimento precoce e câncer de pele, é preciso ter cautela quanto ao tempo e como será feita essa exposição, por isso, é muito importante que se busque a orientação de um profissional. Além disso, fatores como a cor da pele (melanina) e clima também devem ser levados em consideração na hora de determinar tempo de exposição ao sol.(1)

Alguns alimentos, como bacalhau, atum, sardinha, fígado, ovos e produtos lácteos, são fontes naturais de vitamina D, porém, as quantidades desta vitamina adquiridas pela alimentação não suprem as necessidades diárias do nosso organismo, podendo contribuir com, apenas, cerca10% a 20% delas. (1, 5)Sendo assim, a suplementação se torna uma estratégia importante para alcançar o consumo diário recomendado ou evitar/ tratar a deficiência de vitamina D.

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Quando suplementar?

Além dos fatores que citamos anteriormente, as alterações dos hábitos alimentares e estilo de vida, em que as pessoas passam mais tempo no interior de suas casas e ambientes de trabalho, expondo-se cada vez menos à luz solar, estudos mostraram que a deficiência da vitamina D têm aumentado. (8)

Por isso, a suplementação oral é uma alternativa viável e, muitas vezes, necessária, para corrigir os níveis da vitamina D.

Ao analisar os níveis de vitamina D, se necessário, o médico irá prescrever o tratamento adequado para o seu caso. Se a suplementação for recomendada, é sempre importante ficar atento à qualidade do produto que você está adquirindo!

FONTES:
  1. PINHEIRO, Tânia M. Macedo. A importância clínica da vitamina D. 2015. Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas) – Universidade Fernando Pessoa, Porto, 2015.
  1. MARQUES, Claudia D. Lopes et al. A importância dos níveis de vitamina D nas doenças autoimunes. Rev. Bras. Reumatol. Pernambuco, v.50, n. 1, p 67-80, 2010. Disponível em <https://www.scielo.br/pdf/rbr/v50n1/v50n1a07.pdf>. Acesso em 19 ago. 2020.
  1. PREMAOR, Melissa Orlandin; FURLANETTO, Tania Weber. Hipovitaminose D em adultos: entendendo melhor a apresentação de uma velha doença. Arq. Bras. Endocrinol. Metab. V. 50, n. 1, 2006.
  1. CASTRO, Luiz C. Gonçalves. O sistema endocrinológico vitamina D. Arq. Bras. Endocrinol.Metab. São Paulo, v. 55, n. 8, p. 566-575, 2011. Disponível em <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800010>. Acesso em 19 ago. 2020.
  1. BRITO, Bárbara B. De Oliveira et al. Vitamina D: relação com imunidade e prevalência de doenças. Journal of Medicine and Health Promotion. V. 2, n. 2, p. 598-608, 2017. Disponível em <http://jmhp.fiponline.edu.br/pdf/cliente=13-7c54c1aee767b54e1b67283ef65a88b6.pdf>. Acesso em 19 ago. 2020.
  1. KRATZ, Daniela Barbosa; SILVA, Giancarlos Soares; TENFEN, Adrielli. Dificiência de vitamina D (250H) e seu impacto na qualidade de vida: uma revisão de literatura. Revista Brasileira de Análises Clínicas. 2018. Disponível em <http://www.rbac.org.br/artigos/deficiencia-de-vitamina-d-250h-e-seu-impacto-na-qualidade-de-vida-uma-revisao-de-literatura/>. Acesso em 19 ago. 2020.
  1. ABOU-RAYA, Anna; ABOU-RAYA, Suzan; HELMII, MADIHAH. The effect of vitamin D supplemetation on inflammatory and hemostatic markers and disease activity in patients with systemic lúpus arythematosus: a rondomized placebo-controlled trial. J Remathol. V. 40, n.3, p. 265-272. Disponível em <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23204220/>. Acesso em 27 ago. 2020.
  1. RIBEIRO, Carmelita; TAVARES, Beatriz; LUIS, António Segorbe. Vitamina D e asma brônquica.Rev Port Imunoalergologia,  Lisboa ,  v. 21, n. 2, p. 81-89,  2013 .   Disponível em <http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0871-97212013000200002&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em  19  ago.  2020.